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Calçadas: obstáculos por toda parte

Publicado em 11/03/2009 por apec

Calçadas Inproprias

É lei, mas ninguém cumpre. Nem mesmo quem a criou: a Prefeitura do Recife. A chamada Lei das Calçadas, sancionada pelo ex-prefeito João Paulo em 2003, é uma dessas determinações legais que só existem mesmo no papel. De tanto mofar na gaveta do poder público, caiu no esquecimento da população. A legislação municipal obriga os donos de imóveis a manter sempre bem conservado o passeio em frente as suas residências e estabelecimentos comerciais. Durante dois dias, o JC conferiu o estado das calçadas nas principais vias da cidade. O resultado é o pior possível. Buracos por todos os lados, ocupações irregulares, sujeira e entulhos.

Ruim para os pedestres, que precisam driblar os obstáculos para conseguir se locomover. O aposentado Amaro Gabriel de Lima, 70 anos, anda numa cadeira de rodas há mais de três décadas. Na segunda-feira, saiu de casa, no bairro de Santo Amaro, área central da cidade, em direção à Rua do Imperador, no bairro de Santo Antônio. Ajudado pelo amigo Gilberto Bezerra de Assis, dividiu espaço com carros em avenidas movimentadas, nos quatro quilômetros do percurso. Apenas em um trecho, na Ponte Princesa Isabel, conseguiu seguir pela calçada normalmente.

“Se toda calçada fosse assim, seria uma maravilha. Sofremos muito. Quem anda de carro não sente, mas quem precisa passar pelas calçadas sofre muito mesmo”, diz Amaro. Na Avenida Mário Melo, o passeio em frente à escola da rede estadual Sizenando Gonçalves apresenta vários buracos. Não há também a mínima acessibilidade. Para se proteger do sol, Gilberto Bezerra teve muita dificuldade de conseguir colocar a cadeira de rodas no passeio público. Ao dobrar a esquina, lixo amontoado no pavimento para pedestres obstruía a passagem.

Espremido entre os veículos, Amaro conseguiu chegar à Rua do Imperador. Mais uma vez, não havia acesso adequado para chegar ir a financeira onde pegaria um empréstimo. “Viram como eu sofro? Todo prefeito deveria andar numa cadeira dessas só por um dia. Acho que as coisas iriam melhorar um pouquinho. Se um carro bater em mim, vão dizer que eu estava errado por andar pelo meio da pista. Mas só existe essa possibilidade. Não temos outra saída”, afirmou.

A prefeitura também não faz sua parte. Numa das calçadas do Shopping Popular Santa Rita, no Centro do Recife, comerciantes do local reclamam que os entulhos provenientes de uma obra não são recolhidos há uma semana. “Essas pedras foram colocadas há mais de sete dias. Calçada não é lugar para se colocar nada. É lugar para o povo passar”, reclamou o aposentado Vicente Siqueira.

LIÇÃO ERRADA - A Assembléia Legislativa deu péssimo exemplo. Um papa-metralha foi instalado na calçada do estacionamento anexo da Assembléia, na Rua da Saudade, em Santo Amaro. As pessoas possuem duas opções: ou passam pelo meio da rua ou se espremem entre o muro e o papa-metralha. “Sempre passo por aqui. Se o poder público não é exemplo do que deve ser feito, como vamos cobrar do cidadão comum? É preciso uma ação conjunta. Para começar, a prefeitura precisa fazer o dever de casa”, declarou o advogado Alexandre Porto, 34. Várias praças e margens de rios e canais, cuja manutenção das calçadas é de responsabilidade da prefeitura, apresentam problemas de deterioração.

Na Rua Velha, Centro da cidade, comerciantes utilizam a calçada como extensão do estabelecimento. Uma serralharia, por exemplo, desenvolve serviços no meio do passeio público. Calçada não existe mais. É só barro mesmo. “A gente tem que fazer porque a prefeitura não faz a calçada. Gastamos dinheiro e ficamos no prejuízo”, diz um dos funcionárias da serralharia, José Carlos Ferreira.

Fonte :: JC ON LINE (Publicado em 29.01.2009, às 02h59)

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